Um projeto da Wine Australia Incubator Initiative, avalia se a diminuição da absorção do potássio no Cabernet Sauvignon, contribui para uma melhor compreensão do efeito dos porta-enxertos no pH do vinho.

As descobertas são muito importantes, uma vez que um nível mais baixo de potássio (K) permite uma correção dos ácidos menos acentuada durante o processo de vinificação – existindo uma redução de custos bem-vinda para os enólogos.

O estudo – liderado pelo ARC Training Centre for Innovative Wine Production Postdoctoral Fellow, Dr. Zeyu Xiao do NWGIC da Universidade Charles Sturt – foi realizado numa vinha da região da Costa Limestone no Sul da Austrália.

“O objetivo final desta investigação foi avaliar se a absorção de potássio (K) na uva poderia ser diminuída com recurso à utilização do porta-enxerto, com o intuito de otimizar o pH do mosto e a acidez titulável (AT) “ disse Zeyu.

O grupo de investigação estudou o efeito do porta-enxerto na absorção de K e no pH do mosto, juntamente com as concentrações de outros elementos que potencialmente interagem com a absorção de K na uva, incluindo o cálcio (Ca) e o magnésio (Mg).

“É do conhecimento geral que o desempenho do porta-enxerto pode variar dependendo de inúmeros fatores, incluindo entre outros, tipo de solo, estratégia de irrigação, presença de pragas e combinação de garfo/porta-enxerto.

Previamente a esta investigação, a absorção de catiões pelo garfo Cabernet Sauvignon numa gama de porta-enxertos, incluindo Merbein 5489 (M5489), Merbein 5512 (M5512), Börner, 110 Richter (110R), 1103 Paulsen (1103P), 140 Ruggeri (140R) e Ramsey – que se desenvolvem no solo Terra Rossa da região de Coonawarra – não tinha, ainda, sido estudado “, informou Dra. Suzy Rogiers, investigadora principal do NSW Department of Primary Industries (DPI).

Em todos os porta-enxertos ensaiados, o pH do mosto tendeu a aumentar, enquanto a AT do mosto tendeu a diminuir com maiores concentrações de K no mosto.

Foi observado que a AT do mosto foi maior para os porta-enxertos 140RU e 110R, e o pH do mosto tendeu a ser menor para os porta-enxertos 110R, 140RU, M5512 e M5489.

Não houve efeito do porta-enxerto nos sólidos solúveis totais.

O Diretor do NWGIC, Professor Leigh Schmidtke, referiu que este estudo demonstrou que os porta-enxertos representavam uma ferramenta potencial que os produtores poderiam utilizar para limitar a absorção de K pelo Cabernet Sauvignon, a fim de gerir a acidez dos bagos, e finalmente, do mosto e do vinho.

“Os resultados de um ano de estudos, forneceram novas ideias para estudos futuros comparando a adequação dos porta-enxertos para otimizar o pH e AT da uva, na vinha”.

Dr. Kerry DeGaris, do Limestone Coast Grape and Wine Council, referiu que este projeto da Incubator Initiative vem complementar um estudo enológico e sensorial, fazendo parte de um estudo mais amplo atualmente em marcha, e contribuir para uma melhor compreensão do impacto do porta-enxerto na qualidade do vinho Cabernet Sauvignon e suas características sensoriais.

Múltiplos anos de colheita na mesma região podem igualmente ser úteis para avaliar melhor a eficácia da utilização do porta-enxerto como ferramenta para modificar a absorção de K na vinha sob diferentes condições de crescimento de influência sazonal “, referiu Zeyu.

O NWGIC é uma aliança entre a Universidade Charles Sturt, o NSW Department of Primary Industries (DPI) e da NSW Wine Industry Association.

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Fonte: Wine Australia