Os haloanisóis no vinho têm efeitos devastadores no aroma e na qualidade do vinho. O 2,4,6-tricloroanisol (TCA) foi o primeiro haloanisol identificado em 1982 como a causa do odor a mofo no vinho. Mesmo antes da sua descoberta, os produtores de vinho já suspeitavam que as rolhas tivessem relacionadas com este aroma indesejável, razão pela qual o aparecimento do defeito identificado como mofo passou a ser designado por “cheiro a rolha”. Esta pesquisa pioneira também concluiu que em alguns vinhos a concentração de TCA não estava diretamente relacionada ao nível de odor de mofo apresentado pelo vinho.

Atualmente sabemos que existem vários haloanisóis que podem ser a causa das notas a mofo no vinho, incluindo 2,4,6-tribromoanisol (TBA), 2,3,4,6-tetracloroanisol (TeCA) e pentacloroanisol (PCA). Mesmo conhecendo este fato, a maior parte da bibliografia foca-se apenas no TCA como principal causador do odor a rolha, apesar da multiplicidade de vetores que outros haloanisóis possuem para contaminar o vinho.

Por exemplo, o precursor do fenol do TBA é onipresente em materiais de construção como retardantes de chamas, tornando-o um vetor muito maior. Todos os haloanisóis têm a capacidade de aerossolizar e reorganizar-se nas superfícies do armazém, tornando este um problema muito difícil de eliminar.

Este recente artigo publicado na revista Molecules oferece uma revisão bibliográfica, que analisa os múltiplos haloanisóis presentes no vinho, seus impactos sensoriais e métodos de tratamento de defeitos do vinho atualmente disponíveis (clarificação com polímeros de impressão molecular, polietileno de ultra alto peso molecular, Fibrafix TX -R filtros, polianilina, filtros moleculares zeólita-Y, invólucros plásticos e paredes de levedura). Finalmente, são descritas as metodologias de análise atuais.

Artigo de referência:

Abigail Keng and Andreea Botezatu;Uncorking Haloanisoles in WineMolecules 2023, 28(6), 2532; https://doi.org/10.3390/molecules28062532