1Centro de Investigação e de Tecnologias Agro-Ambientais e Biológicas (CITAB), Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, 5000-801 Vila Real, Portugal

2Estação Vitivinícola Amândio Galhano/Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (EVAG/CVRVV), Qta Campos de Lima, 4970-249 Paçô, Arcos de Valdevez, Portugal

A riqueza de Portugal em material de videira autóctone é muito superior à de outros países da Europa Ocidental com tradições vitícolas. No início do século passado, mais de 900 nomes diferentes eram usados na designação de castas (Bravo e Oliveira 1919). Embora envolvendo várias sinonímias, este número reflete a grande biodiversidade existente em Portugal. A lista nacional de castas aptas para produção de vinho inclui 343 variedades (Portaria nº 380/2012, 22 de nov.), das quais, cerca de 250 são consideradas autóctones de Portugal. Estudos recentes revelam que a diversidade nacional de videira poderá ir muito mais além desse valor, dado o elevado número de novos genótipos que estão sendo descobertos (Ferreira et al. 2015). Persistem ainda na viticultura Portuguesa sinonímias, homonímias e erros de identificação. Há ainda um grande grupo de variedades minoritárias, marginais e em risco, sendo necessária a sua caraterização e conservação.

A identificação de castas exclusivamente por ampelografia pode apresentar algumas limitações, em grande parte devido à influência ambiental dos carateres morfológicos. A análise molecular é essencial em muitos casos. Os marcadores moleculares, designados microssatélites, correspondem à amplificação de regiões do genoma correspondentes a sequências nucleotídicas repetidas, muito variáveis entre diferentes indivíduos, permitindo assim a atribuição de genótipos identificativos de castas. Além disso, sendo marcadores codominantes, permitem a deteção de relações de parentesco.

Apresentam-se os resultados da análise molecular efetuada nos últimos 15 anos, com o objetivo de auxiliar a ampelografia, quando esta não é completamente esclarecedora, no sentido de identificar sinonímias, homonímias, designações erradas e dar a conhecer genótipos de castas menos conhecidas e marginais. Resultante destes estudos, encontraram-se imensos novos genótipos e descobriram-se castas que em muito contribuíram para o património vitícola nacional dado o elevado número de descendentes seus identificados, uns conhecidos e de elevado valor e outros desconhecidos e ainda por caraterizar.

Trabalho apresentado no infowine.forum 2016

Notizie correlate: