A chave para uma irrigação eficiente consiste em fornecer às culturas a quantidade de água correta no “lugar certo à hora certa”. Mais fácil dizer do que fazer! Contudo, a recente tecnologia desenvolvida na Universidade de Davis disponibiliza aos produtores uma forma conveniente de encontrar este ponto de equilíbrio.

Shrinivasa Upadhyaya, professor de engenharia biológica e agronómica da Universidade de Davis, afirma: “Agora os produtores não necessitam de ir aos campos agrícolas para decidir quando, onde e como regar”. “Desenvolvemos um conjunto de sensores que fornecem dados em tempo real do stress-hídrico das plantas para o seu computador ou dispositivo móvel.”

A tecnologia está disponível, a partir deste momento, na Cermetek Microelectronics num dispositivo chamado LeafMon, projetado para vinhas e pomares de amêndoas e nozes. Como a investigação prossegue, mais culturas podem ser introduzidas no sistema online. Frank Stempski, gestor de vendas da Milpitas-based company, afirma que o dispositivo irá auxiliar os produtores a economizar água e a melhorar a qualidade e a produtividade das culturas.

Upadhyaya explica: “Apenas porque o solo mais à superfície se encontra seco, não significa que as plantas estão em stress hídrico”. “E só porque o solo se encontra húmido, não significa que as plantas se encontrem mais felizes”.

Pomares e vinhas têm zonas de raízes extensivas, pelo que a deteção da humidade a uma certa profundidade não garante que a planta tenha acesso a essa mesma água.

Investigadores da Universidade de Davis ajudaram a desenvolver uma câmara de pressão para facultar uma leitura mais precisa, através da medição do trabalho da planta para extrair a humidade do solo.

Upadhyay e o seu grupo de trabalho deram um passo em frente através da conceção de um conjunto de sensores que ligados a uma única folha posicionada à sombra quantifica a temperatura da folha, a luz, a velocidade do vento, a humidade relativa e a temperatura do ar – todos os fatores que afetam as necessidades hídricas da planta.

“Os sensores comunicam com a rede wireless para nos transmitir esta informação”, afirmou Upadhyaya. “É mais fácil quando comparado com o método da câmara de pressão, que implica a leitura direta do stress hídrico no campo ao meio-dia e o transporte do equipamento”.

Uma vez que o sistema faculta uma leitura contínua do stress hídrico da planta, os produtores podem personalizar a rega em conformidade. Algumas culturas, como as uvas, beneficiam de algum stress hídrico em vários pontos do seu ciclo vegetativo.

Luis Sanchez investigador sénior na empresa E&JGallo afirma que, o sistema de sensores pode também trabalhar bem em conjunto com outro programa de rega de alta tecnologia baseado em sensores remotos.

“Pode ser uma ferramenta muito útil para verificar os horários de rega baseados em satélites”, afirma Sanchez. “Este sistema poderá ajudar a ajustar a rega para melhorar a qualidade e a produtividade das culturas.”