1Centro de Química – Vila Real, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, UTAD, 5000-801 Vila Real, Portugal

2Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte. Delegação Basto-Douro. Parque Florestal 4600-206 Amarante, Portugal

1. Introdução – Os efluentes vinícolas (EVs) são águas residuais industriais, sendo ≈ 10 a 100 vezes mais poluentes que os efluentes domésticos [1]. Em média a produção de 1000 L de vinho origina uma carga poluente equivalente à produzida por 100 pessoas [2]. Na região Minho são produzido cerca de 250 000 m3/ano de EVs. O seu tratamento através de processos biológicos aeróbios (LA – Lamas ativadas), permite reduzir a respetiva carga poluente, em termos de Carência Química de Oxigénio (CQO), Sólidos Suspensos Totais (SST) e pH. Neste trabalho determinou-se a carga volúmica (CV) poluente mais adequada ao tratamento LA, e verificou-se a influência da correção do pH e da adição dos macronutrientes azoto (N) e fósforo (P) ao efluente bruto, na melhoria da respetiva tratabilidade.    

2. Trabalho experimental – Definiram-se as condições de operação do reator de LA no que respeita ao teor em biomassa (em g SSV/L-1) e em carga volúmica-CV (g CQO L-1 dia-1) aplicada. Partindo de ensaios anteriores, estabeleceu-se a concentração ideal de SSV no reator de 2 g L-1, bem como as modalidades CV2, CV3 e CV4, a que correspondem, respetivamente, 2, 3 e 4 g CQO L-1 dia-1.Consideraram-se 2 modalidades de tratamento: uma utilizando o efluente sem correção (SC), outra utilizando o efluente com correção (CC) do pH, N e P. Cada uma das 2 modalidades foi acompanhada ao longo do tempo, aplicando-se ao reator as respetivas cargas crescentes em cada uma das modalidades, que foram acompanhadas durante cerca de 2 meses consecutivos (até se atingir o estado estacionário para cada uma das CV).

3. Resultados e Discussão – Uma análise aos valores da CV removida em função da aplicada em ambas as modalidades revela maior eficácia quando o efluente é corrigido em termos de pH, N e P (Fig 1), particularmente para as CV aplicadas de 2 e 3 g CQO L-1 dia-1. VL superiores parecem conduzir o sistema ao colapso. Para valores da ordem das 2 g CQO L-1dia-1 a correção ao efluente parece não se justificar, considerando que quer o valor do pH obtido (7,1) quer a remoção de CQO (93%), estão próximos dos valores com correção de pH e nutrientes.
 
4. Conclusões – O processo de LA mostrou-se eficaz na remoção de CQO dos EVs da região Minho, obtendo-se CV removidas até cerca de 2,3 g CQO L-1 dia-1, para VL aplicadas de cerca de 3 g CQO L-1 dia-1. Os melhores resultados correspondem a taxas de remoção de CQO da ordem dos 96% de para CV até 3 g CQO L-1 dia-1, na modalidade com correção do pH, N e P do efluente. O efluente tratado apresentou um CQO residual de 210 mg L-1, 170 mg L-1 de SST e pH de 6,8, passível de distribuição num curso de água apos um tratamento de acabamento.

Trabalho apresentado no infowine.forum 2016