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ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS: A VARIABILIDADE, O VERDADEIRO PERIGO...por Gianni Trioli

Gianni Trioli, VINIDEA Itália

Nos últimos tempos são frequentemente realizados congressos, artigos e discussões sobre as alterações climáticas. Recentemente, foram organizados dois congressos em Zaragoza, o XIX Encontro Científico Lallemand organizado em Bordeaux e a Sessão Enológica e Vitícola do Simpósio da Intervitis realizado em Stuttgart. Tive oportunidade de assistir a estes dois últimos congressos, que foram dedicados ao tema das alterações climáticas e os seus efeitos na viticultura e nas técnicas de vinificação. Os eventos abordaram uma nova perspectiva que não se pode ignorar, sobretudo, porque já não se fala em previsões teóricas, mas de tendências a decorrer e documentadas em várias regiões vitivinícolas. Referenciando-me também nos artigos publicados em Infowine.com para maior detalhe e precisão, apresento aqui um resumo do que se perspectiva. Segundo o novo relatório GIEC (Grupo de experts Intergovernamental sobre a Evolução do Clima) apresentado em Bangkok, a temperatura média anual do planeta irá aumentar cerca de 2 a 4º C, a precipitação anual será muito mais reduzida em algumas regiões (inclusive na nossa região mediterrânea) e as zonas geográficas ideais para o cultivo de algumas castas estarão a centenas de quilómetros de distância das actuais. O quadro é já por si preocupante, mas é ao analisar os detalhes que nos apercebemos do que isto verdadeiramente significa para o nosso sector. A tendência para o aumento da temperatura no decorrer dos anos não irá ocorrer de forma gradual: ocorrerão épocas mais frias do que o habitual e outras muito mais quentes. Num mesmo ano, ocorrerão picos de temperatura muito mais elevados que os actuais, mas acompanhados de períodos de frio intenso. O mesmo se prevê que irá ocorrer com a precipitação: em média teremos, anualmente, menos água, mas verões muito secos coexistirão com fenómenos meteorológicos de intensidade excepcional na Primavera e Outono. Por outras palavras, existirá uma sucessão cada vez mais frequente de temporadas como a de 2003 (quentes e áridas) e 2002 (frias e chuvosas). Mas também temporadas como a de 2006 na Alemanha (temporada seca e quente, e inesperadamente três semanas de chuva incessante antes da vindima, originando problemas com a Botrytis). O termo que mais nos deve alarmar é, portanto, a variabilidade. Isto porque um aumento global, mas constante, da temperatura ou da restrição hídrica pode ser gerido pelos produtores, mas a variabilidade… penso que não. Um exemplo: uma grande adega pode ter vinhas em várias zonas, com diferentes variedades, instalar sistemas de irrigação para utilizar nos momentos de necessidade, modificar a gestão da vinha cada ano, adaptar a data da vindima às condições climáticas, equipar-se com tecnologia que permita regular o teor final de álcool do vinho, aplicar estratégias de acidificação ou desacidificação, controlar os processos de vinificação acentuando ou escondendo características organolépticas… Mas e o pequeno produtor? As centenas de viticultores italianos cujas vinhas não ocupam mais de um hectare não podem alterar a sua localização, sabem cultivar somente determinadas castas como o pai ou o avô lhes ensinou, não têm a força económica nem vontade de intervir na sua pequena vinha e, sobretudo, não têm a capacidade técnica necessária para modificar anualmente a sua forma de trabalhar, para combater, por exemplo, ocasionalmente fitopatogênicos desconhecidos até esse momento nessa zona. A grande quantidade de pequenas adegas que vinificam não poderão investir em equipamentos que poderão ser utilizados somente uma ou duas vezes em cada dez anos, esperando até o último momento, perdendo, entretanto, competitividade. As alterações climáticas, portanto, serão um problema, sobretudo para a viticultura europeia, acentuando, deste modo, mais as distâncias a nível competitivo com o Novo Mundo. Também nos Estados Unidos e na Austrália já se verificam modificações das temperaturas e dos regimes de chuva. Porém, nestes países, as adegas são na sua maioria de grande dimensão. Na Europa, pelo contrário, a maior parte da produção deriva de realidades pequenas ou microscópicas, que não têm a capacidade de reagir de forma imediata a um regime climático. Não quero, contudo, terminar este raciocínio com uma visão catastrófica, mas também tentar encontrar soluções. Na minha opinião, são dois os caminhos a seguir. Aliás, é apenas um, sendo o outro uma consequência. A principal palavra-chave é a formação: são aqueles que sabem exactamente o que estão a fazer e por que o fazem que podem modificar, em função das necessidades, as suas práticas de cultivo ou de vinificação. Existe, porém, um número demasiado elevado de produtores que confiam em receitas herdadas ou ditadas por outros. O outro caminho é o de se concentrarem nas tecnologias químicas e biológicas da adega; ou seja, fundamentalmente nas biológicas, porque as químicas poderiam não ser estratégicas visto a crescente sensibilidade dos consumidores a certos temas. Tendo em conta que a vinha europeia não tem, de facto, a capacidade de se reformar ou reestruturar a um prazo inferior a meio século, e que as inversões necessárias para se equipar para os tratamentos físicos não estão ao alcance de todos, resta a possibilidade de afinar o melhor possível aqueles tratamentos de vinificação que podem ser modificados de um ano para o outro: utilizar ou não enzimas, modificar as estirpes de leveduras, adaptar uma eventual adição de nutrientes, efectuar uma gestão da maloláctica… são todas adaptações a que se pode recorrer e ter acesso no último momento, inclusive as pequenas adegas. Admitindo sempre que na adega haja pessoal preparado tecnicamente (e psicologicamente) para a alteração…
Publicado em 28/06/2007
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