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ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS: UM TEMA TÉCNICO OU MARKETING?......por Gianni Trioli

Gianni Trioli, VINIDEA ITÁLIA

Depois do interesse demonstrado pela 1ª edição em 2006, foi anunciada há algumas semanas a II Conferência Internacional sobre Alterações Climáticas e Vinho, que terá como convidado especial Al Gore, ex-vice-presidente americano, actualmente empenhado na campanha de sensibilização sobre o aquecimento global. Há muito tempo que a Revista Infowine acompanha com muito interesse o tema das alterações climáticas, ao qual foram dedicados diversos artigos e editoriais, tendo acordado uma parceria com a organização desta Conferência que terá lugar nos dias 15 e 16 de Fevereiro de 2008, em Barcelona. O comentário de uma leitora (versão francesa da Revista) à minha primeira opinião relativa ao tema “Alterações Climáticas: a variabilidade, o verdadeiro perigo" fez-me reflectir uma vez mais sobre este tema. A nossa leitora – uma produtora de vinhos do norte de França – exprimiu uma posição um tanto crítica e céptica, apoiando a tese de que o alarmismo criado em redor deste problema é artificial e exagerado, sobretudo pela comunidade científica para justificar o seu próprio trabalho em prol de uma maior visibilidade. Na minha opinião os dados científicos, apesar de não darem provas da existência do problema, são pelo menos, suficientes para justificar uma reflexão. Contudo, e respeitando o cepticismo da nossa leitora – a Infowine agradece pela sua intervenção crítica – constatei pessoalmente que esta atitude se verifica, não só entre produtores, mas também numa grande parte da comunidade científica ligada ao sector do vinho. Em síntese, a tese da leitora é: as anomalias que observamos, hoje, poderiam ser excepções a longo prazo, típicas do sistema climático terrestre, porém, não se tem conseguido caracterizá-las, como sendo excepções porque, só existem dados precisos sobre os parâmetros climáticos à relativamente poucos séculos. Pessoalmente penso que a demonstração científica absoluta só a teremos, quando for tarde demais para reagir e por conseguinte valerá a pena começar a reflectir sobre novas estratégias vitícolas e enológicas, aproveitando para evidenciar o problema, não só em termos de perfil técnico – científico, mas também do ponto de vista do marketing. A questão que me coloco é: será que em breve, o consumidor irá considerar o factor ecológico entre os principais parâmetros para a escolha de um vinho, atribuindo ao "Earth friendly" importância semelhante ao preço, variedade e origem...? Estou convicto de que sim, pelo menos para o segmento dos consumidores habituais, que compram o vinho no supermercado e que decidem a maioria dos volumes do nosso sector, à excepção porém, dos admiradores particularmente especializados. A imprensa bombardeia os consumidores com notícias referentes ao clima. Nas televisões, nos jornais, qualquer acontecimento climático excepcional "é notícia" e basta uma situação de seca anunciada ou uma inundação localizada, para se ouvirem afirmações catastróficas certamente exageradas em muitos casos, mas que inevitavelmente influenciam e alarmam o consumidor. Há algum tempo, percebeu-se que, as grandes marcas internacionais apelam frequentemente para temas ecológicos na sua publicidade. Também no nosso sector profissionais reconhecidos na fileira decidiram “aproveitar a onda”. Cito resumidamente apenas alguns exemplos: - O CIVC de Champanhe trabalha há vários anos na determinação do "balanço de carbono" de toda a produção champenoise, e estabeleceu já algumas estratégias de redução do impacto ambiental (redução do peso da garrafa e do transporte aéreo…) - O governo britânico (WRAP) pressiona as cadeias de distribuição de modo a que estas limitem a quantidade de vinho importado em garrafa no Reino Unido e privilegiem o vinho importado a granel e armazenado in situ; - A WFA australiana (associação federal dos técnicos e produtores de vinho) considera o respeito pelo ambiente como um dos 5 pontos estratégicos a considerar; - O grupo Torres anuncia o investimento de 10 M€ para aumentar a utilização de energias renováveis (células fotovoltaicas, meios híbridos...); Despagne, um conhecido produtor bordelês, iniciou um programa com o objectivo de obter uma empresa vitivinícola com "emissão de carbono zero "; a imprensa internacional do sector atribuiu grande importância a ambos os casos. Em sectores semelhantes: - A cervejaria Adnams recebeu um prémio Carbon Trust (financiado pelo governo do Reino Unido) por ter reduzido em 30% o peso das suas garrafas e ter instalado painéis solares, bem como um sistema de recuperação de água da chuva nos telhados das suas instalações; - A Coca-Cola causou um grande alarido por reduzir 2 gramas (de 26 para 24g!) no peso das suas garrafas PET; - Nestlé, Coca-cola e SABMiller assinaram um compromisso para gerir melhor o consumo de água nas suas empresas. Talvez algum gestor nestas empresas tenha visto na sensibilidade ambiental o seu “caminho de Damasco”, mas o objectivo principal destas acções, muito publicitadas, é impor-se no imaginário do consumidor como “empresa que respeita o ambiente”. Se os importantes grupos internacionais se preocupam em ser os primeiros a colocar rótulos em si próprios, significa que prevêem um aumento da sensibilidade no consumidor. E, ao mesmo tempo, contribuem para a aumentar, num processo exponencial. Na minha opinião, independentemente de se considerar as alterações climáticas um problema real, ou uma invenção dos investigadores e dos políticos, deveríamos fazer rapidamente as contas, considerando a sensibilidade do consumidor relativamente a este tema. Será que, um consumidor ao qual tenha sido imposto: não utilizar a piscina de verão, regar o jardim apenas à noite, que sofreu um “black-out” energético e que não possa entrar no centro da cidade porque o seu carro não é Euro 3, estará disposto a comprar uma garrafa de vinho cujo vidro pese quase mais do que o seu conteúdo, com um consumo de água em adega que pode chegar aos 2.5 litros de água por litro de vinho, transportada em aviões supersónicos de um continente para o outro e obtida a partir de vinhas irrigadas com mais que 100 litros de água para obter 1 litro de vinho? A pergunta é retórica. Certamente, poderemos alegar o exemplo de outras indústrias ou outras culturas que consomem mais água e mais energia, no entanto, será sempre demasiado tarde. Concluindo, mesmo para quem não está totalmente convencido, de que o fenómeno das alterações climáticas é real, impõem-se uma reflexão estratégica. Antes de terminar, retomo resumidamente, o tema do perigo da variabilidade do meu artigo anterior, para explicar com um exemplo o que pretendia exprimir. Verificou-se este ano na Sicília, uma quebra de produção de 30% (2 Milhões de hl !!) devido a uma precipitação primaveril anómala, que permitiu o desenvolvimento precoce de míldio. Como não estavam habituados a realizar tratamentos contra esta doença, apesar das estratégias de defesa serem bem conhecidas e pouco dispendiosas, os viticultores foram apanhados de surpresa e perderam, em alguns casos, mais de metade da produção. Até ao momento, não se tinha pensado na possibilidade de organizar na Sicília um curso de formação sobre a defesa contra o míldio, e em contrapartida um pequeno investimento – aparentemente inútil – teria sido muito produtivo para os viticultores.
Publicado em 23/11/2007
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