italianoenglishfrançaisdeutschespañolportuguês
Idioma
Pesquisa do site

ONDE ESTÁ PORTUGAL?...por Paulo Ramos

Viagem de estudo | Hong Kong e China, Vinho e Mercado | 24 Maio – 2 de Junho de 08

Foi com muito prazer que acedi ao pedido da VINIDEAs para escrever o artigo que se segue. Inicialmente, pensei em fazer uma descrição pormenorizada de toda a viagem: descrever a realidade vitivinícola chinesa, o mercado de vinho em Hong Kong, a exposição Vinexpo, o vinho chinês, etc. Contudo, não posso deixar de escrever algo que vá ao encontro da verdadeira percepção da viagem. Irei, com certeza, referir o que há de diferente nas práticas vitivinícolas chinesas, mas o que tenho de questionar, em primeiro lugar, é: Onde está Portugal? A questão prende-se com o facto da presença portuguesa no mercado asiático ser menor que residual. Num país onde a produção é maior que o consumo de vinho e, assim sendo, onde a exportação é a única saída possível para o escoamento da produção, foi com alguma surpresa que constatei a ausência de investimento dos produtores portugueses neste novo mercado emergente. Numa das maiores feiras do sector na Ásia, a Vinexpo Asia-Pacific, na qual se apresentaram 692 expositores de 32 países diferentes, apenas 7 expositores exibiam vinhos portugueses, contrastando com 284 expositores da França, 79 da Espanha, 24 da Alemanha e 10 da Roménia (país menos produtor que Portugal!). Destes 7 expositores, apenas 4 apresentavam, exclusivamente, vinho português e, ao contrário dos expositores dos outros países, os quais estavam sob a égide (bem visível) de uma bandeira e do nome do país, os expositores portugueses não exibiam uma referência forte e visível a Portugal, podendo ser associados a qualquer outro país. Quanto à presença de vinho português no comércio, verifiquei que, nos diversos (óptimos) restaurantes onde aconteceram as refeições, quer em Hong Kong, quer em Pequim, a oferta internacional era variada, contando com muito vinho do Novo Mundo e com as algumas referências europeias de França, Itália, Espanha e Alemanha. Não vi um único vinho português à venda num restaurante! Apenas numa loja especializa de venda de vinhos, em Hong Kong, e no hotel no qual permanecemos, vislumbrei algumas “garrafas portuguesas”. É assim que está a presença portuguesa no oriente… Relativamente à viagem, aparte de alguma estranheza inicial devido ao (pequeno) afastamento linguístico (Português – Italiano), a simpatia de todo o grupo rapidamente imperou e a integração foi feita de um modo fácil e natural. Pelo que me foi descrito por participantes “experientes” nas viagens SIVE, esta foi algo diferente das anteriores, uma vez que se fez algum turismo nas regiões visitadas e não se limitou a visita a “vinha-adega-vinha-adega”, como me foi relatado por diversos colegas. A organização foi exemplar, diversas acções todos os dias, bons hotéis e óptimos restaurantes com refeições banqueteadas, contendo aromas e paladares característicos da cultura chinesa. A refeição como “fenómeno social”, no qual o convite à conversa está implícito era o período ideal para a troca de informações entre os participantes. Em torno do (e em conjunto com o) vinho, ocorriam discussões acesas acerca das políticas vigentes no sector e da regulação do mercado, e conversas amenas relativas aos aspectos técnicos dominados pelos participantes nas suas regiões de produção. Respeitante ao sector vitivinícola chinês, saliento os estudos de mercado apresentados em Hong Kong e na Universidade de Pequim, a visita à Vinexpo, as visitas às Adegas Dragon Seal e Chateau Bolongbao e a uma vinha experimental de uma corporação franco – chinesa. Em termos de práticas enológicas nas adegas, apesar de estas serem mais atrasadas tecnologicamente, não se observaram grandes diferenças face às existentes em Portugal, uma vez que os enólogos responsáveis tinham tido formação na Europa ou com europeus. As maiores diferenças davam-se na viticultura, já que as vinhas eram enterradas no chão durante o inverno para as protegerem das temperaturas negativas que rondavam os – 20 graus C. Quanto aos estudos apresentados, a cultura o vinho é uma “criança”, o mercado chinês é muito específico e particular, mas as oportunidades existem… Contudo, será sempre necessário ter uma Marca Portugal forte e divulgada. Relembrando o início do artigo, concluo com outra pergunta: Para quando a marca Portugal?
Publicado em 26/06/2008
Fotos
Páginas relacionadas
© Todos os direitos reservados
VAT: IT01286830334
ISSN 1826-1590
powered by Infonet Srl Piacenza
Política de privacidade
Este site utiliza cookies que são necessários para a finalidade descrita na política de cookies. Se quiser saber mais sobre cookies, consulte a política de cookies. Ao fechar este banner e ao navegar nesta página, clicando num link ou continuar a navegação de qualquer outra forma, está a concordar com o uso e política de cookies.
Mais informaçãoOK

- A +
ExecTime : 1,875